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A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, cumprimenta o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, durante viagem dele a Belfast no último dia 5
A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, cumprimenta o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, durante viagem dele a Belfast no último dia 5| Foto: EFE/EPA/MARK MARLOW

No último dia 3, a Irlanda do Norte resolveu um impasse de dois anos e abriu caminho para reacender outro, este, com mais de cem anos.

No primeiro sábado de fevereiro, Michelle O'Neill, do partido nacionalista Sinn Féin, que prega a reunificação da Irlanda, se tornou a nova chefe de governo da Irlanda do Norte.

A legenda dela, que no passado foi o braço político do grupo terrorista IRA, foi a mais votada na eleição para a Assembleia Nacional norte-irlandesa, em maio de 2022. Porém, não conseguiu formar um governo.

A legislação estabelece que o Executivo da Irlanda do Norte deve ser formado por membros de partidos nacionalistas e unionistas (que defendem a permanência do país no Reino Unido).

O Partido Democrático Unionista (DUP, na sigla em inglês) foi o segundo mais votado na eleição de 2022, mas se recusava a formar um governo e boicotou a Assembleia Nacional durante dois anos porque era contrário às regras comerciais do pós-Brexit.

Por fim, chegou-se a um acordo, que inclui um repasse de 3 bilhões de libras (quase R$ 19 bilhões) do governo britânico para serviços públicos na Irlanda do Norte.

Com O’Neill encabeçando o novo governo, pela primeira vez desde a partição da Irlanda, em 1921, uma nacionalista ocupa o cargo máximo do Executivo norte-irlandês.

Uma reportagem recente da CNBC destacou como o histórico familiar da nova primeira-ministra reflete a fronteira borrada entre Sinn Féin e IRA no passado: o pai dela foi preso na época de militante do grupo terrorista e depois se tornou vereador pelo partido, enquanto um primo, também integrante do IRA, foi morto pelo Serviço Aéreo Especial (SAS, na sigla em inglês) do Reino Unido em 1991.

Agora, O’Neill busca a reunificação da Irlanda sem pegar em armas. “Há tantas coisas que estão mudando. Todas as velhas normas, a natureza deste Estado, o fato de que uma republicana nacionalista nunca deveria ser primeira-ministra. Tudo isso indica mudança”, disse O’Neill em entrevista à Sky News.

Na última quinta-feira (8), em entrevista coletiva à imprensa internacional, Mary Lou McDonald, presidente do Sinn Féin, afirmou que um referendo sobre a reunificação da ilha deve ser realizado dentro de dez anos.

“Nossa ilha está dividida há mais de um século. Acredito apaixonadamente na reunificação irlandesa como o melhor plano para nossa economia, nossa sociedade, nossa política e para desempenharmos nosso papel no mundo, na comunidade global”, disse, em resposta a uma pergunta da Agência EFE.

Na mesma coletiva, O’Neill citou que a Irlanda do Norte votou para permanecer na União Europeia na votação do Brexit, em 2016, mas “o governo britânico nos forçou a sair”.

No caso de um referendo sobre a reunificação da ilha, alegou que “algumas pessoas avaliarão de qual união querem fazer parte” – a República da Irlanda é parte do bloco europeu.

Porém, a possibilidade de um referendo desagrada tanto o governo britânico quanto os aliados unionistas do novo Executivo da Irlanda do Norte.

“Nosso novo acordo dá a eles [norte-irlandeses] mais poderes e mais verbas do que jamais tiveram, para que possam ajudar as famílias e as empresas em toda a Irlanda do Norte, e essa é a prioridade de todos agora”, disse o premiê britânico, Rishi Sunak, à Sky News.

“Não se trata de [promover] uma mudança constitucional, trata-se de concretizar as coisas do dia a dia que são importantes para as pessoas”, argumentou.

Paul Givan, do DUP e ministro da Educação recém-nomeado da Irlanda do Norte, disse à agência de notícias PA News que “é lamentável que, quando se trata de eleições, o Sinn Féin se volte imediatamente para esta questão de um referendo sobre a fronteira”.

“Eu alertei antes de Michelle O’Neill se tornar a primeira-ministra para que resistissem à tentação de seguir o caminho de falar de referendos sobre a fronteira quando precisamos nos concentrar na saúde, na educação e em todas essas questões do dia a dia”, afirmou.

“A população quer que trabalhemos para resolver essas questões, não que fiquemos distraídos com essas questões constitucionais”, disse Givan.

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