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Carlos Bolsonaro foi alvo nesta segunda (29) de busca e apreensão
Carlos Bolsonaro foi alvo nesta segunda (29) de busca e apreensão| Foto: Câmara Municipal do Rio de Janeiro

A busca e apreensão determinada nesta segunda-feira (29) contra o vereador Carlos Bolsonaro baseou-se em mensagens de WhatsApp em que uma ex-assessora, Luciana Almeida, pedia “uma ajuda” ao deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem. No dia 11 de outubro de 2022, ela escreveu e enviou a ele a seguinte mensagem:

“Bom diaaaa/Tudo bem?/Estou precisando muito de uma ajuda”

Em outro dia, numa data ainda não esclarecida na investigação, ela enviou dados de um inquérito da Polícia Federal que envolveria “PR e 3 filhos” – numa possível referência a Presidente da República e três de seus quatro filhos.

“Delegada PF. Dra. ISABELA MUNIZ FERREIRA –/Delegacia da PF Inquéritos Especiais/Inquéritos: 73.630 / 73.637 (Envolvendo PR e 3 filhos)/Escrivão: Henry Basílio Moura”

Em outubro de 2022, Ramagem já não era mais diretor da Abin, pois havia deixado o cargo em março para disputar uma vaga de deputado federal. Numa mensagem anterior, de data desconhecida, Luciana se apresenta e deseja sucesso:

“Sou a Luciana assessora do vereador /Carlos Bolsonaro/Desejo muito sucesso  VSa nesta nova /Etapa de sua vida”

Numa data posterior, Ramagem agradece e diz que ela podia contar com ele:

Muito obrigado, Luciana!/Não tinha visto a msg. Ficou para baixo./Conte comigo./Agora vamos eleger nosso PresidenteBolsonaro./Bj!

No pedido de busca e apreensão, a Polícia Federal afirmou que as mensagens indicam que Carlos Bolsonaro buscava informações sobre investigações da PF junto a Ramagem, que também é delegado da corporação. É registrado, no entanto, que os inquéritos passados pela assessora – 73.630 e 73.637 – não se referem ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos.

“Os referidos inquéritos policiais não apresentam pertinência com os referidos Pr e 3 filhos. Entretanto, fontes abertas indicam que no período existiam investigações em andamento no interesse dos sujeitos, razão pela qual provavelmente a fonte não obteve os números dos procedimentos corretos”, escreveu o delegado do caso no pedido de busca.

Ainda assim, para a PF, a busca seria necessária para confirmar se o vereador buscava informações junto ao ex-diretor sobre investigações.

“A solicitação de realização de ‘ajuda’ relacionada à Inquérito Policial Federal em andamento em unidades sensíveis da Polícia Federal indica que o NÚCLEO POLÍTICO possivelmente se valia do Del. ALEXANDRE RAMAGEM para obtenção de informações sigilosas e/ou ações ainda não totalmente esclarecidas”, escreveu no documento.

Ao autorizar a medida, o ministro Alexandre de Moraes, que supervisiona a investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), escreveu que essa e outras informações colhidas pela PF apontam para a existência de uma organização criminosa instalada na Abin no período em que foi comandada por Ramagem.

“A organização criminosa infiltrada na Abin também se valeu de métodos ilegais para a realização de ações clandestinas direcionadas contra pessoas ideologicamente qualificadas como opositoras, com objetivo de ‘obter ganho de ordem política posto que criavam narrativas para envolver autoridades públicas de extrato político oposicionista da então situação’, bem como para ‘fiscalizar’ indevidamente o andamento de investigações em face de aliados políticos”, anotou o ministro, citando trecho de relatório da investigação.

Operação Vigilância Aproximada

A busca e apreensão coletou celulares e computadores na casa de Jair Bolsonaro em Angra dos Reis (RJ), onde Carlos Bolsonaro estava neste domingo (28), e em mais cinco endereços ligados a ele no Rio de Janeiro. A PF também coletou materiais em Brasília, Formosa (GO) e em Salvador.

Além de Carlos Bolsonaro, foram alvos da operação sua assessora Luciana Almeida; o militar Giancarlo Gomes Rodrigues, que trabalhava na Abin na época de Ramagem; e Priscilla Pereira e Silva, que, segundo Moraes, era uma assessora que teria recebido informações do ex-diretor.

A investigação busca elucidar um suposto “desvirtuamento” da Abin, para fins políticos, no período em que Ramagem comandou a agência, entre julho de 2019 e março de 2022. Segundo a PF, ele alocou no órgão um grupo de policiais federais que coletava informações contra adversários políticos de Bolsonaro e que pudessem servir à defesa de seus filhos.

Um dos meios para isso seria o FirstMile, software israelense que consegue localizar aparelhos celulares pelo número da linha. Segundo a PF, a tecnologia seria usada por auxiliares diretos de Ramagem, de modo informal, para monitorar ilegalmente opositores do ex-presidente.

Perícias realizadas pela PF indicam que, entre fevereiro de 2019 e abril de 2021, foram realizadas 60.734 consultas no FirstMile, que resultaram em 21.309 geolocalizações.

Na última quinta-feira (25), o ministro Alexandre de Moraes, que supervisiona a investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou uma busca e apreensão contra Ramagem e outros policiais e agentes da Abin. A operação foi batizada de Vigilância Aproximada. Em outubro do ano passado, o ministro já havia autorizado uma busca nas instalações da Abin, na Operação Última Milha. A investigação foi aberta em março de 2023.

Ramagem se tornou próximo de Bolsonaro em 2018, quando chefiou a equipe de segurança de sua campanha presidencial. Em 2020, ele foi escolhido por Bolsonaro para comandar a PF, mas teve a nomeação suspensa por Moraes pela suspeita de que poderia interferir em investigações para proteger os filhos do ex-presidente.

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